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Vanessa Teodoro, a Liberdade a Preto e Branco


Vanessa Teodoro, uma mulher que vive da criatividade, artista visual sul-africana e portuguesa com a sediada em Lisboa.

Formada em design gráfico e publicidade Vanessa apresenta um estilo muito próprio, definido por uma complexa batalha entre padrões gráficos, elementos figurativos e cores fortes e contrastantes, tudo com um toque de caos e de humor.

Dedica-se exclusivamente à ilustração de artes plásticas desde 2009, tendo já trabalhado com inúmeras marcas internacionais de renome. Vanessa revela um gosto muito especial por projetos de arte de rua e considera muito gratificante o desafio de pintar grandes murais públicos.

Embora não goste de entrevistas, Vanessa acedeu a falar connosco e a mostrar que, na realidade, é muito mais do que uma artista perfecionista com um amor gigante pelo preto e branco.


Como se define como Mulher?


Sou uma mulher cada vez mais consciente que o sexo (género) não define o nosso papel no mundo.

Considero-me uma mulher com sorte por viver num tempo e, numa parte do mundo, mais livre e aberta a seguirmos a nossa paixão e de não nos prendermos a fazer os “papeis” esperados pela sociedade.

Mas sou tão mais do que isso!


Quando é que decidiu entrar no mundo da arte?


Sempre gostei de deixar a minha “marca” em tudo que faço. No entanto, ainda que tivesse uma aptidão simpática para me expressar visualmente, não entrei logo no mundo da arte.

Estudei design gráfico e publicidade, que trabalham muito com a criatividade, mas só foi depois de perceber que o mundo das agências não era para mim, que arrisquei em ser artista full-time.


Qual o tipo de arte que faz?


Considero-me uma artista multidisciplinar. Nos dias de hoje somos bombardeados com tanta informação que somos dificilmente surpreendidos.

Por isso, como artista, faço questão de estar constantemente a reinventar-me, a experimentar materiais e técnicas novas.

Desde a ilustração comercial, como telas, murais, carros, pratos, como escultura e cerâmica (algo que exploro mais recentemente), como direção de arte e vitrinismo.


Quais as suas fontes de inspiração?


Inspiro-me muito na minha vida, quem me conhece bem percebe o porquê de eu usar o preto e branco e composições que reflitam uma espécie de caos organizado...

Também a minha inspiração vem na Pop Art, em artistas como o Sol Lewitt e Keith Haring, na banda desenhada e nos padrões africanos.


Que história a Vanessa cria nas suas obras?


A história que me faz sentido na altura. Uma janela para o que vai cá dentro, já tendo sido mais figurativo em tempos, agora o abstrato simplifica tudo e ajuda-me a por as ideias e pensamentos em ordem.


Como caracteriza as suas obras?


Um caos organizado.


O que faz sentido quando pinta?


Faz sentido estar a gostar do que estou a fazer, e fazê-lo para mim.




Considera as suas criações artísticas excitantes do ponto de vista intelectual?


Eu espero que sim!

Penso que por serem tão densas e complexas, as pessoas podem perder-se na busca da sua própria interpretação e na tentativa de desvendar a mensagem por de trás da obra.

Sou apologista de que as peças não deveriam ser explicadas, mas sim sentidas.

De que forma a arte inspira o amor e a sexualidade?


A arte faz nos sentir coisas (boas ou más).

Acho que é o amor que inspira a arte, a nossa vontade de expressar o que queremos dizer e não conseguimos.

O amor é uma língua universal, assim como a arte.


De que forma é que aborda a sexualidade e o erotismo nas suas criações?


Não o faço de forma consciente, ainda que tenha peças com figuras femininas, muitas vezes auto- retratos.

Gosto de pensar que os padrões que crio dançam e encaixam entre si, uma espécie de erotismo abstrato, mas como tudo, depende da imaginação do expectador.






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Considera que a forma como se expressa através das suas obras, é uma forma de excitação para si?


É uma terapia, e libertar o que vai cá dentro é uma espécie de “orgasmo criativo”.


Quais as suas primeiras experiências para além da arte?


A arte sempre fez parte da minha vida, digamos que vivi sempre uma relação muito próxima com a criatividade.

Desde da minha formação em design gráfico e publicidade, trabalhei durante 3 anos como diretora de arte em agências. Não sei se posso dizer que tenho outras experiências para além da arte porque para mim a arte está em tudo.


Além da arte urbana, que outros tipos de arte lhe despertam interesse?


Sou uma pessoa muito curiosa e farto-me rapidamente e como mencionei em cima, gosto de experimentar muitas técnicas diferentes para evoluir e criar algo novo.


De que forma a arte influencia o seu quotidiano?


O meu dia a dia é rodeado por arte. Pensar arte, criar arte e vender arte.


Quais as experiências com arte que foram mais importantes para si?


Aquelas que não correram tão bem.

Os erros, as peças partidas, os projetos com problemas pelo meio, este tipo de experiência ajuda-me a crescer e (espero eu) não repetir os mesmos erros, pois sei que outros novos erros virão.


Qual o significado e objetivo das peças que cria?

Tento representar, quando pinto figurativamente, mulheres fortes e independentes. Talvez pela falta de artistas do sexo feminino no mundo da arte, as “musas” desnudadas pintadas nas obras não contam.

Nos museus há mais mulheres representadas em obras do que a pinta-las. Gosto de passar uma mensagem positiva de força e esperança. Art is for the brave.


Qual a sua opinião sobre a utilização da sexualidade na arte?


A arte é um espelho da sociedade.

A sexualidade é uma das muitas formas pelas quais as pessoas se exprimem.

Faz sentido existir uma ligação entre as duas, mesmo que não seja evidente, acho que podemos interpretar qualquer peça de arte de um ponto vista sexual. (dependendo da imaginação de cada um) risos!!!


A arte pode ser um bom afrodisíaco?


Claro que pode, até porque as pessoas “comem” também com os olhos.


Vanessa Teodoro , Artista Plástica


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