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Uma Vida mais Fértil, por Joana Folgado


Joana Folgado, 38 anos, casada com Paulo Calado e é uma mulher que vive na pele o que é viver um problema de infertilidade em Portugal.


Apaixonada pela vida, pelo desenvolvimento pessoal e pela dança. Carateriza-se por ser sonhadora, otimista, viajante, amante da natureza e curiosa.


Em criança, desejava ser bailarina, na adolescência psicóloga. Acabou por seguir outro caminho e formou-se em gestão de empresas. Trabalhou na Banca onde, durante 13 anos, experimentou diferentes funções e liderou várias equipas e projetos.


Hoje, é Coach de Fertilidade, é facilitadora de processos de autoconhecimento e de transformação. Também formadora e facilitadora de biodanza e de círculos de crescimento, o que faz é criar as condições enriquecidas para que cada um se descubra, se conecte consigo e com as suas potencialidades e que vá na direção do que mais quer viver.


Fundadora da Associação “Vida Mais Fértil”, que nasceu para ajudar pessoas que estejam a passar pelo um processo de infertilidade, porque ainda existe muita falta de informação, tabu e preconceito. Esta associação tem vindo a crescer, através de especialistas, um canal de youtube e redes sociais. A missão desta associação é conseguir apoiar quer a nível físico, mental e emocional, estas pessoas com dificuldade na concretização do projeto de parentalidade. Também implementar e aumentar a consciencialização e informação neste tema infertilidade.


Nesta entrevista ao Love with Pepper, Joana explica como é viver um problema de infertilidade em Portugal e refere que nunca desiste do seu sonho de maternidade e de AMOR.


Para si o que é a infertilidade?

A infertilidade para mim é um todo caminho e uma experiência, talvez a mais marcante que possa ter na vida, que tem muitos impactos em áreas como social, financeiras e dentro destas áreas temos o desgaste físico e emocional que vai afetando a vida do casal e da pessoa que está a viver este problema.


Como se chega a um diagnóstico de infertilidade?

No meu caso, aconteceu que estava a tentar engravidar e não conseguia. Esperei 6 meses, achei estranho e decidi procurar ajuda médica e depois dos exames veio o diagnóstico.


Onde teve origem o seu problema de infertilidade?

A origem do meu problema foi quando me diagnosticaram baixa reserva ovárica, o que acontece é os meus óvulos são poucos e, dizem os médicos, não são de boa qualidade, o que faz com que seja mis difícil conseguir engravidar de forma natural.


Enquanto mulher e enquanto casal quantos tratamentos fez? E que tipo de tratamentos fez?

Fizemos alguns. O primeiro tratamento que fizemos foi a “indução de ovulação” que consiste na toma de um medicamento via oral para estimular a ovulação e seguido de relações sexuais programadas com calendário, depois de várias tentativas falhadas. Depois passamos para a “fertilização In vitro”, que já fizemos 5, uma técnica que estimula os óvulos através de uma medicação injetável, em que a mulher ao longo da estimulação vai aumentando o número de óvulos e quando temos o número ideal de óvulos fazemos um procedimento cirúrgico para retirar os óvulos e posteriormente é feita, uma junção com o espermatozoide. Por fim, depois de estas tentativas sem êxito, foi aconselhado para avançar para “a doação de ovócitos”, que é um tema muito tabu e consiste em recorrer a dadores de óvulos, para conseguir material genético e implantar no útero, já fizemos um, mas não resultou. Estamos na segunda tentativa.


Alguma chegou a engravidar?

Sim, tive um teste positivo, no tratamento passado, mas a gravidez não evoluiu.


Como se reage quando os tratamentos não funcionam?

São momentos que se vive uma desilusão, uma perda, um luto e que este luto requer muito mimo, autocuidado e compaixão para curar esta tristeza, mágoa, angustia e frustração e continuar este caminho com essa paz interior que existe depois da cura.


Hoje em dia ainda faz tratamentos de fertilização?

Sim, no tratamento de doação de ovócitos.


De forma é que os tratamentos de fertilidade afetam a sexualidade?

Nas mais variadas vertentes, porque o nosso corpo passa a ser visto por médicos, controlado por medicação, resumindo está ao serviço da ciência. Também afeta nos encontros de intimidade sexual que passam a ter o objetivo de engravidar e que o casal não consegue desfrutar do desejo e do prazer que o sexo proporciona.


Alguma vez procurou ajuda psicológica?

Sim, desde de muito cedo vi que precisava desse apoio. Fiz psicoterapia e comecei uma jornada muito precisa para mim de autoconhecimento em que procurava respostas na área do desenvolvimento pessoal.


Alguma vez se sentiu inferiorizada em relação às outras mulheres?

Sim, deve-se ao facto de quando o desejo principal é a concretização de um sonho, o de engravidar e não conseguir. E quando no nosso seio social, se vê amigas nossas a viverem gravidezes e a terem o papel da maternidade, que eu ainda não cumpri, e como eu ainda não cumpri esse papel, faz também com que houvesse no passado momentos em que sentia inferiorizada.




É fácil uma relação sobreviver a esta situação toda?

Não é nada fácil. Mas, estudos têm apontado que esta situação fortalece ou separa a relação do casal. Casais que sobrevivem a esta vivência de infertilidade são casais que têm uma robustez e uma maturidade muita grande para lidar com este desafio. Também existe vários fatores, por exemplo: a componente financeira, porque são tratamentos dispendiosos e desgastantes e que abala logo a relação, depois temos a falta de comunicação, o casal tem que falar para gerir as suas emoções, e por fim, temos o alinhamento de continuar individualmente ou acompanhada neste desafio e caminho da realização do sonho da parentalidade.


Já pensou alguma vez na adoção?

Sim, embora seja importante referir que a adoção não é uma solução para todos os casais, é preciso existir uma grande abertura, responsabilidade sobre o processo. Tem que ser uma decisão tomada com consciência e que deve ser falada e partilhada em casal e se necessário, procurarem ajuda psicológica para procurarem respostas e que faça refletir e equacionar uma solução destas. Mas sinto que para já não é o momento.


Como se lida e gere a pressão social sobre a questão da maternidade?

Inicialmente quando me faziam as tais perguntas inconvenientes ficava com um nó na garganta e só me apetecia chorar e nem sequer tinha competência para responder. Há medida que o tempo vai avançando e o tema se foi pacificando, fui falando o que se passava, falar a verdade e, por vezes, usar o humor e dizer o que é a realidade da infertilidade.


Apesar deste problema alguma desistiu de ser Mãe?

Não.


Como é viver um problema de infertilidade em Portugal?

Em Portugal, o trabalho que tenho vindo a desenvolver, vejo que ainda existe muito tabu e a infertilidade é muito vivida em vergonha e silêncio. As pessoas falam muito pouco sobre o tema, o que implica que exista muita falta de informação e consciencialização e que a comunidade tenha a falta de apoio, apoio este que estas pessoas tanto precisam. No entanto, já estão a abrir um bocadinho os caminhos.


O que torna a vida mais fértil?

Para mim o que torna uma vida mais fértil é ter uma mente positiva e sã, estar fértil nas emocionalmente equilibrada nas minhas emoções e conseguir cumprir nos meus projetos. Também sentir que ao meu lado, tenho uma relação nutridora, que me suporta e apoia e potencia, o que faz com que a nossa vida seja mais fértil, em todas as dimensões.


Sexualmente realizada. Vida Feliz. O lema do Love with Pepper, concorda?

Sim, concordo. Porque quando se fala em energia sexual e da energia da vida, a vida não se resume só à parte sexual e íntima, é muito mais que isso. Assumo que a minha vida sexual não é só a relação com o corpo, mas a forma como eu estou com o mundo e a viver o prazer de pequenas coisas e de experienciar a vida a com mais prazer.


O sexo é bom?

Faço por isso! (risos) Como vivo a infertilidade há muito tempo com o meu marido, há muito tempo, perde-se muito essa espontaneidade de estar, no sentido do prazer e como passa a ser planeado e muito mental temos que conseguir recuperar e trabalhar essa magia, prazer e intimidade para se tornar bom.


Joana Folgado, Coach de Fertilidade ( www.joanafolgado.com )

Fundadora da Associação Vida mais Fértil

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