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Tudo por AMOR e com AMOR, por Benilde Silva



21 de Março de 2024, Dia Mundial da Trissomia 21


Benilde Silva, Mestre em Psicologia da Educação, casada, Mãe de 2 filhos, a Catarina, 24 anos e o Daniel, 26 anos, que nasceu com Trissomia 21. É escriturária e exerce Psicologia da Educação a nível particular. É representante da Associação Pais21 – Down Portugal zona Norte. É voluntária na ALVD e fez o seu primeiro voluntariado em Moçambique – Gurué, no mês de Agosto do ano passado.


Filha de um casal católico, de bons valores, Benilde é a quarta de seis filhos e tenta transmitir esses valores a todos. Tem fé e interessa-se por o estudo da espiritualidade. 


O seu grande sonho desde criança era casar, ser Mãe e constituir uma família feliz e conseguiu.


Mãe de Daniel Maia, um jovem de 26 anos com Trissomia 21, que nunca desistiu dos seus sonhos, em que é atleta e pratica Futsal adaptado, no F.C do Porto, integrando também a Seleção Nacional de Futsal Síndrome de Down (FutDown). Daniel também já participou em trabalhos de moda e desfilou como modelo para as marcas Cheyenne e Mad Dragon Seeker by Alexandrine Cadilhe e Daniel Simões. O Daniel também pratica dança na Academia em Movimento e a turma dele, de momento está apurada para as semifinais do programa Got talent, da RTP1.


Apesar de nunca ter sonhado em ter um filho com deficiência, para Benilde, o seu filho é mais do que perfeito. Lamenta, no entanto, que a nossa sociedade. crie rótulo que estigmatizam as pessoas diferentes.


Apesar de ter crescido perto de um bairro onde existiam crianças com deficiência e vários tipos de limitações, Benilde gostava de ajudar, pois é uma Mulher muito sensível e luta para que as pessoas com deficiência tenham uma vida com mais dignidade.


Considera-se uma pessoa muito emotiva, afável, adora dar e receber abraços e carinhos! Para ela passar momentos com presença plena com as pessoas que ama é uma dávida. Também gosta de meditação, caminhar na Natureza (floresta e mar) e adora dançar!! Embora assuma que a correria do dia-a-dia não permite muito! 


Nesta entrevista ao Love With Pepper, Benilde fala-nos simplesmente de AMOR Incondicional de uma Mãe e de um Filho e das dificuldades que existem na deficiência. Fala-nos do tabu que existe em relação à  sexualidade, nas pessoas com deficiência.



 

Ter um filho especial é uma dádiva para pais especiais?

Não sei responder a essa questão, mas tenho certeza que, se o Daniel nasceu na nossa família é porque tem lições para nos ensinar e dar e nós a ele.

 

Como é que nasceu a paixão do seu filho Daniel pelo desporto?

Foi uma paixão que começou desde pequenino, incutida pelo meu sogro, onde foi criado até aos 2 anos e ficava nas férias letivas.

 



Quais as particularidades que valoriza no Daniel?

A capacidade de fazer amigos, de amar e aceitar o outro de uma forma incondicional. É o não conseguir ficar zangado com ninguém. Adora dar afeto. É uma pessoa muito honesta e sincera e está quase sempre bem-disposto.

 

Como é o Daniel com os amigos fora do contexto familiar?

É muito sociável, afável e gosta muito de conviver com pessoas.


Sendo Mãe e o Daniel um rapaz, alguma vez falou ou explicou ao abordou junto do seu filho assuntos relacionados com a sexualidade?

Sim. Aqui em casa sempre falamos do tema sexualidade com naturalidade. Aliás, ele teve na escola um episódio em que a professora veio alertar-me pois o Daniel estava a mexer na genitália, a tentar masturbar-se e nós em casa explicámos que não existe problema em faze-lo, mas em sítios privados como o seu quarto e casa de banho e desde aí nunca mais repetiu a situação.

 

A educação sexual do Daniel foi apoiada pela a escola ou por algum outro profissional?

Na realidade, penso que talvez devêssemos ter procurado um profissional para falar com ele, mas tivemos conhecimento que uma enfermeira ia à escola dar palestras sobre educação sexual, e ele assistiu.


Considera que ainda existe muito tabu na área da educação sexual e em relação à sexualidade na deficiência?  

Claro que existe imenso preconceito. Geralmente a pessoa que tem deficiencia, já tem um rótulo e são logo estigmatizados e não são aceites. Logo não é fácil ter um companheiro(a) e isso torna complicado eles terem um relacionamento como deveriam ter.


Alguma vez o Daniel lhe colocou alguma questão ao qual ficou sem resposta?

Nunca me fez questões que tenham ficado sem resposta. Sempre respondi de forma natural às dúvidas e questões que ele me colocou.


Em que fase ou idade teve a perceção de que entendia a sexualidade do seu filho?

Comecei a ter essa perceção entre os 12 e 14 anos. Foi a altura em que ele começou a ter a noção do seu corpo e das suas mudanças. Aí, como pais, nós ficamos preocupados porque de certo modo ele não poderá ter uma vida normal no campo sexual, mas estamos a tentar fazer um bom trabalho nesse tema.


Sentiu a necessidade de falar com algum profissional de saúde sobre isso?

Claro que sim. Por acaso tive algumas palestras e workshops proporcionados pela Associação de Pais 21- Down Portugal em que uma psicóloga veio falar sobre a sexualidade nestes jovens, mas era direcionado aos pais e não a eles. Embora faça muita falta informar e ajudar estes jovens no campo sexual.


Alguma vez a alertaram ou sensibilizaram as mudanças pelas quais a seu filho ia passar na adolescência?

Nunca me alertaram nem sensibilizaram sobre isso, até porque o Daniel é um rapaz normal dentro da normalidade. Mas o que na realidade me preocupa é ele não poder usufruir de todos os seus direitos como todas as outras pessoas.



O Daniel namora e tem uma grande paixão, para além de um grande amor. Como é que a Benilde reagiu?

Muito bem, de forma natural e isso é normal apesar de ele ter Trissomia 21.

O Daniel já mostrou interesse sexual?

Sim e se ele tiver oportunidade de o fazer eu apoio, e aliás gostaria que ele tivesse chance de iniciar a sua vida sexual com a namorada.


Prevê a possibilidade de o Daniel ir viver com a sua namorada?

Gostaria muito. Seria um dos meus sonhos que  o Daniel tivesse uma vida autónoma com uma companheira e não tenho qualquer receio, porque nós pais estamos aqui para ajudar.


Se Daniel casar, como vai reagir?

Sim, apoio. Acredito que, apesar das suas limitações, ele será capaz de gerir um relacionamento, sempre com o apoio dos familiares.


Encara a possibilidade de o seu filho poder vir a ter filhos.

Só se ele fizer muita questão.


Quais são os seus maiores receios que sente em relação à vida sexual e afetiva do Daniel?

É ele não conseguir gerir as suas emoções, devido à sua bondade e generosidade em relação aos outros.




O AMOR vence o preconceito?

Sempre!!! O AMOR cura tudo.


Benilde Silva, Psicóloga

 

 

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