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Nazaré Pinela e a Luta pela Diferença




8 de Março, Dia Internacional da Mulher


Nazaré Pinela tem 58 anos e assume-se como uma “bad influencer”. Aposta na “rebeldia, na diferença e no individualismo”. Uma forma de estar na vida que gostava que todos cultivássemos.

Nasceu em Campo de Ourique (Lisboa) e estudou na escola António Arroio, dedicando-se às artes. Quando atingiu a maioridade partiu em busca de novos horizontes. Aos 18 anos foi para Londres onde decidiu o seu próprio destino e definiu o seu caminho de vida.

Fã da música dessa altura, o rockabilly, gosta dos penteados e da atitude de rebeldia no pós-guerra, depois dos anos cinzentos.

Foi baixista na banda Capitão Fantasma, mas os elementos desta acabaram por seguir caminhos diferentes. Chegou aos celebres anos 80 a dar espetáculos de sapateado no Café Concerto, um espaço que depois deu lugar a uma loja vintage, onde também trabalhou, apaixonada por este estilo que mantém desde os 16 anos.

É body piercer e tem um estúdio de tatuagens em Sintra desde 2001, o Bang Bang Tattoo. A profissão que escolheu também ajuda outras pessoas a transformarem os seus corpos de forma artística.

Na entrevista ao Love with Pepper, Nazaré fala-nos, no Dia Internacional da Mulher, de como é ser uma mulher diferente , num dia tão importante para as mulheres. Uma mulher que marca a diferença.

Como define o seu percurso de vida com 58 anos?

O meu percurso tem altos e baixos, mas apesar da minha teimosia e persistência tenho conseguido alcançar os meus objetivos. Não me arrependendo de nada. Sou fiel a mim mesma, à minha família, aos que me rodeiam e ao meu trabalho.


O que é ser Mulher?

Não costumo fazer diferenças entre o homem e a mulher. O que para mim difere na mulher é a Maternidade, que foi o mais incrível que me aconteceu na vida. De facto tenho um enorme orgulho e uma alegria imensa em ser Mãe.

Como define uma tatuagem?

É uma marca que ao decidirmos fazê-la é para sempre.

Qual a sua maior paixão?

A vida.

Qual difere a Nazaré das outras mulheres?

Sempre vivi muito sozinha, muito independente, mas sempre convivi com homens. Também tocava numa banda com homens, talvez esse o motivo de crescer assim.


Tem um estilo muito próprio e ousado. Qual a sua inspiração para este estilo?

A minha inspiração é vintage, tudo o que visto tem mais de 30/40/50 anos e tenho orgulho nisso. Desde os 18 anos que faço isso. Não gosto da moda dos dias de hoje, embora admire alguns designers de moda como por exemplo a Vivienne Westwood. Tenho uma coleção dela. Sou apologista de comprar pouco, mas bom e para mim tudo o que é antigo é bom e daí marcar a minha diferença.

Como nasceu a sua paixão pelas tatuagens?

Não faço a mínima ideia! Talvez tenha visto algum marinheiro quando era mais nova! (risos)

Quando fez a sua primeira tatuagem?

Foi aos 18 anos.

O seu corpo é quase todo tatuado. Considera que as tatuagens servem para atrair o sexo oposto?

Não! (risos) As minhas tatuagens são para mim. Tenho a perfeita noção que me serve como uma armadura e protege de certas situações. É tipo um escudo que tenho.

Quais os cuidados que tem com o seu corpo aos 58 anos?

Sou vegetariana desde os 18 anos e talvez por isso mantenha este ar saudável. O único cuidado que tenho é no rosto, hidrato, coloco maquilhagem e não pode faltar o batom vermelho.

Acha que uma tatuagem aumenta a autoestima? De que forma?

Sem dúvida que sim. Trabalho há 30 anos com tatuagens. As tatuagens são uma forma de terapia para os meus clientes que na maior parte das vezes vêm muito em baixo e saem com a autoestima em alta.

C

onsidera que em pleno século XXI os seus serviços são mais procurados? Acha que as tatuagens viraram moda?

Agora não, mas no início sim. Quando a minha casa era única tinha sempre muito trabalho. Hoje em dia existe mais procura e mais casas, mas nada que se compare aos anos 90.

Mesmo com o corpo quase todo tatuado ainda faz tatuagens?

Faço. É como uma coleção. Quando vem cá um artista à loja nem que seja uma pequenina, deixa a sua marca e recordação.

As tatuagens são uma boa arma de sedução?

Não. Tenho outras boas armas de sedução como por exemplo o batom vermelho! (risos)

Como encara o envelhecimento?

Faz parte da vida, mas não é fácil e é inevitável. Sou uma pessoa superativa, e tento estar bem mentalmente para encarar o dia a dia sempre melhor.



Sexualmente realizada. Vida feliz. Concorda com o lema do Love with Pepper?

Concordo, porque vivo feliz com o meu marido há quase 40 anos.

O sexo é bom?

Por vezes é cansativo! (risos) Quando se está com uma pessoa uma vida inteira chega a um ponto que o que atrai mesmo é o amor e o carinho. O amor é o mais importante de tudo.

Nazaré Pinela, Tatuadora

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