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Mariza Seita, as Tatuagens da Cura


Mariza Seita, tatuadora, 31 anos, dedica-se à sua arte desde 2015 no estúdio Ink & Wheels, no Campo Pequeno em Lisboa. No âmbito da sua arte recebe mulheres que passaram por um cancro de mama e oferece-lhes um serviço de correção estética através da tatuagem, sem qualquer custo. Define-se como uma lutadora e considera-se uma mulher colorida que adora colorir a vida dos outros. Nunca desistiu dos seus sonhos, e sempre lutou para fazer sucesso no que mais gosta, que são as tatuagens.

Nesta entrevista, Mariza Seita fala-nos do seu percurso profissional e do seu projeto de promoção da autoestima das mulheres que passam por um processo de tratamento do cancro.


Como define o seu percurso de vida com 31 anos?


Tenho orgulho no caminho que tenho percorrido e sinto que, desde muito cedo, consegui atingir os meus objetivos principais que foi ter um dos estúdios mais conhecidos a nível nacional.


Tem um estilo muito próprio e ousado, qual a sua inspiração para este estilo?


Sempre fui fã dos anos 50/60, porque tem um estilo de música e de roupa que gosto e que encaixa em mim. Depois a questão da cor na roupa e da maquilhagem surgiu mais tarde quando comecei a ter mais autoestima.


Como nasceu a sua paixão pelas tatuagens?


Desde de muito cedo, eu convivo com pessoas “alternativas” e comecei a gostar de tatuagens a partir dos meus 15 anos. Sempre que eu via pessoas tatuadas com estilo americano, agarrei nele e coloquei mais cores para chegar ao meu próprio estilo.


Quando fez a sua primeira tatuagem?


Foi aos 18 anos, porque os meus pais não deixavam! (risos)


O seu corpo é quase todo tatuado. De que forma é que aumenta a sua performance sexual e intelectual as tatuagens?


Em mim influencia principalmente a autoestima, sinto-me muito bem com o meu corpo assim, gosto do que vejo.


Acha que ainda existe muito preconceito em relação aos tatuadores e aos tatuados?


O preconceito está a diminuir, o que é bom. Por exemplo já existem empresas e companhias aéreas que aceitam tatuagens.


Acha que uma tatuagem aumenta a autoestima? De que forma?


No meu caso, por exemplo, eu não gostava das minhas pernas e hoje tatuadas já gosto e sinto mais segurança em mim, e também já consigo usar saias e calções. Também existem pessoas que fazem tatuagens para tapar cicatrizes, estrias, e outras características que as fazem sentir inseguras. De certa as tatuagens aumentam a autoestima e a segurança da pessoa.


Como nasceu o seu projeto de tatuar as mulheres com cancro na mama?


Nasceu em 2015, quando eu estava à procura de um serviço diferente no estúdio. Era para ser um serviço pago como outro qualquer, porque ia ter uma vertente mais estética. Mas, quando fiz a primeira tatuagem ao mamilo de uma cliente, e quando ela se viu ao espelho, foi tão bonito e tive uma sensação que nem consigo descrever. Não consegui cobrar pelo serviço, e o certo é que já ofereço este serviço desde de 2015.



É um trabalho voluntário. Como se sente quando o seu trabalho é reconhecido?


Sinto muito orgulho pelo facto do meu trabalho ser reconhecido pela medicina. É muito gratificante e maravilhoso.


Estamos a falar de um trabalho que tem um preço muito considerável. O que sente quando oferece este serviço a mulheres que sofreram tanto?


O meu sentimento é de grande responsabilidade, porque estas mulheres têm que confiar nas minhas mãos, para fecharem um ciclo. Fico super feliz o resultado final.


Qual a sua missão com este serviço?


Gosto de fazer parte de um processo de cura, de deixar pessoas felizes e de aumentar a sua autoestima.


Porquê tatuar mulheres que tenham tido cancro na mama?


Muitas vezes perguntam-me se passei por algum caso de cancro, mas não passei felizmente. Faço-o porque nós, como seres humanos, devemos fazer o bem pela nossa comunidade, e eu arranjei a minha forma de o fazer.


Considera que as “suas” tatuagens contribuem para aumentar a autoestima, a satisfação das mulheres e sentem-se mais seguras a nível sexual?


Eu penso que sim, embora não fale sobre esses assuntos com as minhas clientes! (risos) Posso dizer que o fazem por elas próprias e não pelos outros! Para se sentirem bem consigo próprias.


Porquê só a mama?


São mulheres que sofrem tanto, que acho que faz todo sentido fazê-lo, e tem sido tão gratificante e sou grata por realizar este serviço para estas doentes.


Quantas tatuagens deste género faz por mês?


Fazemos na Ink&Wheels 4 tatuagens por mês (tenho a Rita que também tatua).


Qual a história que marcou mais?


Foi a da Maria Inês, uma jovem miúda, com uma personalidade incrível, pela força e a coragem de vencer esta doença. Ela é simplesmente maravilhosa.


Alguma vez pensou tatuar outro tipo de doentes?


Transexuais, mulheres que tiraram o peito para mudar o sexo. Irei fazer a primeira tatuagem destas em finais do ano.


Quais as idades mais procuradas para fazer tatuagens?


Posso dizer que é entre os 30 e os 50 anos.


Considera que, em pleno século XXI, os seus serviços são mais procurados? Acha que as tatuagens viraram moda?


Não concordo com isso, porque algumas das mulheres (doentes oncológicas) que tatuam os mamilos, fazem o mamilo para aumentar a autoestima, embora estas não gostem de tatuagens. Dou valor ao facto de elas estarem abertas a faze-lo. Mas de certa forma, no meu ver entendo que as tatuagens oncológicas não tornaram moda nem a influenciam.


As tatuagens são uma boa arma de sedução?


Claro que sim, para muitas coisas! (risos)


Sexualmente realizado. Vida feliz. Concorda com o lema do Love with Pepper?


Óbvio, embora existam pessoas que não precisam de sexo. (risos)


Mariza Seita, Tatuadora na Ink&Wheels

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