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José Carlos Pereira, a história do Homem por detrás do Ator e do Médico

Atualizado: 2 de abr. de 2021


José Carlos Pereira tornou-se muito popular no meio televisivo por ter integrado o elenco de várias telenovelas. Participou também em inúmeros programas televisivos, tendo atraído um grande número de fãs junto do público feminino. Nesta entrevista, José Carlos mostra-nos a sua faceta mais pessoal e reflete sobre como é contactar com o mundo da droga. Uma vida repleta de superações e de aprendizagens constantes.



Quem é o José Carlos Pereira?


Sou Pai, ator, médico, sou muitas coisas, não me consigo definir numa frase só. Sou multifatorial e multidisciplinar.


Como se define como Homem, Pai, Companheiro e Profissional?


Tento ser o melhor que consigo em cada um dos campos da minha vida.


Com 42 anos, como define o seu percurso de vida?


O meu percurso de vida, fez-me ser aquilo que eu sou hoje. Acho que não sou daquelas pessoas que diz que não se arrependeu de nada. Pois já me arrependi de algumas coias que fiz e que devia ter feito de uma determinada maneira. Acho que o Universo de repente me levou aprender com os erros da minha vida. Fez -me ser aquilo que sou hoje. Naquela altura cometi erros que poderiam ser fatais.


Tem algum sentimento de revolta dado ao seu passado?


Não, acho que tenho as coisas muito bem resolvidas. Aceitei o meu passado, mas não o esqueci. Como costumo dizer, aceitei o meu passado, mas não o esqueço, porque agora eu sei onde não quero voltar. E sei que existem muitas coisas que não quero voltar a repetir, outras que quero, coisas boas, coisas más a isto chama- se aprendizagem.


Qual o seu primeiro contacto com as drogas?


Foi por volta dos 16 anos, desde drogas leves até às mais pesadas haxixe.


Como é que a sua família reagiu? Teve apoio?


Obviamente ficaram assustados, apoiaram-me sempre, estavam sempre lá mas sempre assustados. Sempre estiveram lá para me apoiar neste problema. Foi o maior amor que me podiam ter dado.


De que forma é que o contacto com a droga alterou as suas relações sociais, afetivas, amorosas e sexuais?


Afetou em todos os níveis, houve uma altura que já não tinha... Digamos que começou a ver uma inversão de valores, os nossos amigos começam a gozar connosco, procurar as pessoas para sair à noite, que andam no mesmo circulo de ambientes e começamos a colocar para trás outros ambientes, a parte familiar, social, vai tudo para trás.


Tinha consciência das consequências que ia ter a longo prazo?


Claro que não, senão não me tinha metido.



O facto de ter consumido drogas teve impacto no seu desempenho sexual?


No que eu tenha dado conta acho que não. Uma vez ou outra, talvez! O exagero às vezes leva-nos ao blackout. Que eu tenha uma vez ou outra sim, inevitável.


Alguma vez consumiu drogas para se tornar mais desinibido e melhorar a sua performance social?


Tornar-se mais desinibido, não! Sim, saímos de nós próprios, para ficar mais à vontade. Era um alivio para o stress do dia a dia que eu levava, gravava muitas horas e aquilo era uma chave que saia de mim.


Tinha consciência que o seu uso poderia afetar a sua fertilidade?


Não, pensava nisso. Obviamente que agora tenho consciência da parte médica.


No seu processo de recuperação alguma vez o abordaram aspetos como sexualidade e fertilidade para motivarem a sua recuperação?


Nunca me falaram sobre isso.


As drogas na sua globalidade podem levar a um sexo maravilhoso, mas esta fatura pagar-se-á mais tarde com danos para a saúde do individuo. Comente esta afirmação.


Concordo perfeitamente. Sabemos que as substâncias no mercado obviamente a dita cocaína, MDMA (ecstasy) têm também tem um poder desinibitório, aumentam a quantidade da dopamina e serotonina, provocam muita sensibilidade e prolongam o orgasmo de uma maneira muito exponencial. Obviamente que a longo prazo, afeta a saúde e não traz nada de bom. Quer o álcool, quer as drogas! Seja aquilo que for, obviamente os danos que provocam e que vamos pagar a longo prazo não compensam uma loucura.


Concorda que as drogas e o sexo poderão a curto prazo levar a boas experiências, mas a longo prazo causam danos irreparáveis e nocivos para a nossa saúde?


Claro que sim. Uma noite de loucura, não justifica uma vida de faturas a pagar. Não aconselho! Pelo contrário desaconselho! Se eu soubesse o que sei hoje muitas das coisas que fiz não tinha feito, tudo foi uma aprendizagem.


Atualmente quando lida com doentes com adições, sensibiliza-os para as consequências dessas adições ao nível da sexualidade e da fertilidade?


Não é um assunto que eu abordo, nem acho que tenha de abordar ou que ache que seja importante abordar. Acho mais importante e necessário ouvir o paciente no caso da dependência. Tenho muitos doentes que por vezes já apanhei com intoxicações agudas e tivemos uma conversa de igual para igual e não abordei a questão da sexualidade e da fertilidade. Existem assuntos mais importantes na área da toxicodependência, não acho que a sexualidade e a fertilidade sejam as áreas mais importantes.


Vai contar aos seus filhos a história do seu passado?


Claro que sim, não tenho dúvida nenhuma.


Como é que um Homem tão bonito, jovem inteligente, com uma carreira brilhante e com um futuro promissor, entra no mundo das drogas?


Para mim houve um fator muito importante, na altura, com 20 anos eu era pago para sair à noite e para beber e consumir drogas, era um exponencial. Pagavam-me para fazer presenças, fazer novelas, andar em discotecas era um mundo bem mais fácil. Estava tudo à mão, basicamente era aquilo.

Obviamente que se tivesse sido bem aconselhado, resguardado um bocadinho mais, teria sido diferente.

Mas sempre fui um bocadinho de experimentar. Leva-nos a caminhos que pensamos serem bons, mas estamos a ir para maus caminhos. Basicamente foi isso que aconteceu.

Agora o problema das drogas, não vamos pensar que é só para alguns! Abrange todas as classes sociais desde os multimilionários até aos mais pobres. Todos têm um primo, um sobrinho, seja quem for… Isto é um problema transversal, não vamos dizer que é de uma classe social que não é. Não é o mais bonito ou o mais inteligente, ou o menos bonito ou o menos inteligente! Todos nós estamos em risco e devemos estar alertas para pensar nas situações que achamos que controlamos até um determinado ponto!


Qual a mensagem que quer deixar aos jovens que estão a passar pelo que o José Carlos passou.


A mensagem que gostava de deixar é esta e é a mais importante: eu sempre fui consumidor de fim-de-semana, só que o meu fim-de-semana começava à sexta e acabava ao domingo! Eu sei que hoje em dia há muita gente que tem este padrão de consumo.

O padrão de consumo de fim-de-semana, embora recreativo, é muito mexido porque já não consegue recorrer à substância, isto é uma fase má, porque às vezes nem se apercebe.

Este padrão acaba por estragar a semana de trabalho e o que está para vir e já levam segunda até quarta para recuperar e depois quinta e sexta já estão mais ou menos e vão sair outra vez!

Não devem fazer isso! Devem levar uma vida normal e saudável dentro do possível. Esta é a minha mensagem.



Dr. José Carlos Pereira, Médico, diretor clinico da YOUHOUT CLINIC, de Lisboa



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