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Eulália Almeida e a Mãe Especial de um Ser Especial


Eulália Almeida, 71 anos, portuense nascida e criada; mãe de Sydney Fernandes, 33 anos, mais conhecido como Fostter Riviera, primeiro e premiado ator pornográfico homossexual português.

Vinda de uma família tradicionalista, religiosa e numerosa, desde de muito jovem que esta mulher se define como uma lutadora e guerreira de grandes causas. Muito sonhadora recorda que sempre imaginou ter uma família numerosa porque gostava muito de crianças. Casou com um homem que era totalmente o seu oposto. Um casamento com altos e baixos, do qual nasceu uma filha. Como fez uma histerectomia total, nunca mais conseguiu engravidar.


Passado algum tempo, apareceu Sydney o seu sobrinho e seu filho adotivo devido a uma fatalidade na sua família. Este menino, filho de um seu irmão que ficou viúvo, quando já era pai de 7 filhos e vivia com algumas dificuldades. Sydney sobreviveu por milagre quando, durante a sua gestação a sua mãe sofreu uma embolia e acabou por falecer. Esta criança iria ser entregue a uma instituição caso Eulália não adotasse o seu sobrinho.


Assim, Eulália criou esta criança como se fosse seu filho, apesar das adversidades que a vida lhe pôs à prova.


Hoje, Eulália confidencia ao Love with Pepper que o AMOR é o sentimento mais importante. Revela a importância que o Sydney tem na sua vida e o que é ser Mãe do Coração como refere.


O que é ser Mãe?


Ser Mãe é um dom divino, é sentir um amor incondicional, sem limites, que nos ensina a amar, compreender, tolerar e a perdoar sem pedir nada em troca.



Como é que o Sydney apareceu na sua vida?


O Sydney é filho do meu irmão, e este ficou viúvo quando ele nasceu. Na altura como ele já tinha 7 filhos, a Segurança Social estava a pressioná-lo para dar este filho para adoção e, na altura eu fui avisada e fui busca-lo. Recordo que falei com a minha filha e ela queria muito um irmão, mas o meu marido não concordou muito. Apesar de ele ser contra, eu fui busca-lo, trouxe-o para cá e dei-lhe tudo o que pude para que nada lhe faltasse. Nunca lhe faltou nada sobretudo o AMOR.


Como define este seu filho?


Ele é superativo, inteligente, sensível, sonhador e com um coração de ouro. É o meu filho do coração que, apesar de longe, estamos muito perto.


Alguma vez desconfiou que o seu filho era homossexual?


Nunca me deu qualquer sinal, mas o que ele diz nas entrevistas é que escondia a sua homossexualidade porque eu era muito conhecida e tinha receio ou medo da forma como eu iria reagir.


Como foi ver o Sydney a ir para outro país?


A maior alegria que o meu filho me deu foi ter tirado um curso de informática no IPCA e ser referenciado como uma criança inteligente nas escolas. Na altura, quando ele foi para a Alemanha chorei muito porque faltava aquele reboliço dentro de casa e eu andava sempre muito triste. A partida dele deixou sempre uma marca em mim.


Como descobriu que o seu filho era ator de filmes pornográficos?


A descoberta aconteceu quando eu vim de férias e umas colegas minhas me perguntavam se eu tinha ido ver o meu filho à Alemanha. Achei aquilo estranho. Acabei por comentar aquela situação com uma amiga e então ela pediu-me para ir a casa dela para me mostrar uma entrevista do meu Sydney em que ele estava a dizer que descobriu que era homossexual aos 15 anos. Nesta entrevista, Sydney dizia também que ia para PRIDE e fazia shows e também era ator de filmes pornográficos. Na altura, senti-me muito mal e não tinha consciência, nem conhecimento de nada relativamente ao que era a homossexualidade e a PRIDE. Depois disso, cheguei a enviar-lhe três mensagens muito más e ele bloqueou-me todas as formas de o contatar. Após essa situação, comecei a pesquisar sobre assunto. Sentava-me no computador a tentar perceber o que era a sexualidade e a pesquisar o nome dele e nada encontrava. Até que encontrei um site com o nome “Foster Riviera”, que tinha algo de estranho Foster era o nome da atriz lésbica Judy Foster e Riviera era o sítio onde o meu filho nasceu. Então cliquei e apareceu uma imagem com o meu filho completamente nu, com botas de tropa a dar uma injeção no pénis. Fiquei em choque, e cada vez que clicava as imagens eram cada vez piores. Vivi esta situação toda sozinha sem contar nada a ninguém.


Como se reage a saber que um filho é homossexual e ator porno?


No momento em que descobri reagi muito mal, mas tinha de o aceitar porque o amor que eu sentia por ele superava tudo. Cheguei a um ponto e pensei que, se o meu filho é feliz assim eu tenho de aceitar e foi aí que me apareceu o Jorge Pelicano que me apresentou à AMPLOS (Associação de Mães e Pais pela Liberdade de Orientação Sexual e Identidade de Género).


De que modo é que aceitou o rumo do seu filho?


Foi quando fui ter com o meu filho à Alemanha e vi que o meu filho tinha uma casa lindíssima, amigos maravilhosos e verdadeiros, que trabalhava numa boa empresa, mostrou-me onde fazia os filmes pornográficos e vi que ele estava muito feliz. No entanto, nesses 13 dias nunca estivemos os dois sozinhos e na ida para o aeroporto disse-lhe que ele ia ter muito orgulho na sua Mãe porque a partir daquele momento ia tornar-me a maior ativista dos direitos LGBTQI+. Ele abraçou-me e começamos a chorar.


Como nasce o filme “Até que o Porno nos Separe”?


Na altura, quando o Jorge Pelicano pensou no filme era para ser somente com atores pornográficos e como o Sydney era o maior ator porno português e tinha ganho muitos prémios falou com ele e depois, então, falou comigo e fez-me o convite, porque queria mostrar à sociedade para que os pais e mães saibam lidar com esta situação. Como eu e o meu filho tínhamos uma história fenomenal e diferente, ele mudou todo o guião. Com este filme, o Jorge mostrou à nossa sociedade que, com o amor, tudo se consegue e que, com o amor que eu sentia pelo meu filho era possível aceitar e superar tudo.


O porquê de hoje em dia ser ativista dos direitos LGBTQI+?


No momento, que entrei para a AMPLOS vi que estava conformada e fui aceitando a minha realidade, mas, no entanto, tinha a noção que existiam e existem pais na mesma situação que eu. Fui convidada para discursar na Primeira Marcha de Orgulho do Porto e, no meu discurso, só pedi aos pais destes jovens que dessem Amor, para valorizarem e amarem os seus filhos. Contei a minha história e esta causou tanto impacto que muita gente estava a chorar. Alguns vieram abraçar-me e, a partir daí, tornei-me ativista LGBTQI+, porque quero um mundo melhor, mais colorido e estas e todas pessoas precisam de AMOR.



Qual a sua missão de vida?


É continuar a ser uma Mãe AMPLOS, amar os meus filhos e o meu marido incondicionalmente e servir aqueles que são mais prejudicados na sociedade.


Nos dias de hoje como vê a homossexualidade?


O tema da homossexualidade ainda é pouco debatido, precisávamos de mais leis para dar alguma estabilidade a estas pessoas, porque cada vez existem mais homossexuais e transexuais. Precisamos que as empresas do nosso país empreguem esta gente para servir a sociedade, pois são pessoas como todos nós.


O AMOR vence o preconceito?


O AMOR vence tudo. Neste tema ainda existe tanto preconceito e só o amor e o afeto ajudam em tudo. E todo este trabalho que tenho feito e prol dos trans e da comunidade LGBTQI+ é obrigar a nossa sociedade aceitar as pessoas tais como elas são.


Eulália Almeida, Ativista LGBTQI+




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