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Christian Bambusch, a moda e a luta pela vida




Christian Bambusch, luso-alemão, 28 anos, modelo e desportista nas artes marciais. O seu percurso foi bastante normal e tranquilo, licenciou-se na área do desporto na Alemanha, mas acabou por regressar a Portugal onde começou a enveredar pelo mundo da moda. Há cerca de 1 ano e meio foi-lhe diagnosticado uma pré-forma da leucemia, mais conhecida por síndrome mielodisplásico, em que nos conta como foi a luta e vitória desta patologia. Como se define como Homem? Sou um homem que tenho os meus próprios ideais, procuro ser humilde, disciplinado, mas também muito ambicioso em relação aos meus objetivos de vida. Também me considero uma pessoa altruísta, onde tento sempre tomar a opção correta independentemente das consequências.



Como e quando sentiu que algo não estava bem? Estando sempre ligado ao desporto e onde sempre pratiquei artes marciais (Taekwondo e Kikboxing) durantes muitos anos na Alemanha e depois quando voltei para Portugal, aqui a treinar só em ginásios de uma forma regular fui-me apercebendo que estava com menos dinâmica, sentia menos resistência, precisava de mais tempo para descansar, comecei a sentir que algo não estava bem. Depois de ter feito os exames necessários foi-me então diagnosticado uma pré-forma da leucemia, chama-se síndrome mielodisplásico, que não é muito comum na minha idade ou em pessoas jovens.

Como é que é receber a notícia que se tem um cancro? Ninguém está à espera de receber uma notícia destas, visto que sempre tive uma vida bastante normal. Estava numa boa fase da minha vida, onde me é colocada esta barreira, esta doença. Foi difícil digerir este processo, porque sabemos que existe uma forte possibilidade de não se sobreviver, mas na minha situação e pela minha experiência existe a aceitação da doença e eu aceitei. Saliento que enquanto estive internado, tive acompanhamento de forma regular de um psicólogo, em que com esse apoio consegui lidar melhor com a doença. Tecnicamente estou curado da doença, após ter realizado o transplante, ironicamente o meu doador foi alemão. E como se informa a família? Foi muito importante informá-los, onde tive que transmitir a notícia com algum cuidado para não ficarem preocupados, com a situação que estava a acontecer, visto que a minha Mãe faleceu de leucemia. Como existiu uma aceitação minha da doença, ao informar procurei que não existisse uma preocupação excessiva por parte dos meus familiares e amigos e tentei protegê-los ao máximo, dado à situação que se tinha passado com a minha Mãe. Durante a doença tiveste a presença de uma namorada? Antes de ser internado tinha namorada, ela acompanhou-me durante grande parte durante este processo todo, o que é admirável. Mas para mim, não fazia qualquer sentido ter uma relação amorosa naquela situação, mas sem dúvida foi um grande apoio. De que forma a sua autoestima foi afetada pela doença? Surpreendemente praticamente nada. O meu aspeto físico mudou, mas não me afetou em nada, embora pensei que iria afetar a queda de cabelo, a perda de massa muscular, mas não valorizei essa parte da doença. Se fosse mulher imagino que fosse mais difícil aceitação da mudança do meu corpo. A tua vida sexual após a doença. Já é uma realidade? Não, ainda não. Embora tenha a luz verde medico e estou à vontade nesse sentido e também ainda não surgiu oportunidade para isso.


De que forma os tratamentos quimioterâpeuticos podem prejudicar as relações sexuais? Quando se fala ou se pensa em quimioterapia, pensa-se logo no pior, mas no meu caso tive uns tratamentos mais leves, mas quando iniciei o processo de transplantação foi mais violento, mas não existia pensamento e vontade na área sexual.

A sua libido devido ao cancro foi alterada? Sim, durante o período que fiz quimioterapia. Desde que a minha vida voltou ao normal, e da forma como tem sido a minha recuperação tem evoluído, diria que estou exatamente como estava antes, normal! Encara bem a vida sexual pós doença? Por acaso sim. Tenho apenas de ter alguns cuidados como usar preservativo, para evitar as infeções urinárias ou outras situações menos boas. Certos casos de cancro leva a impotência sexual, lidas bem com essa possibilidade? não te causa insegurança? Na minha situação não tenho receio nenhum, nunca me aconteceu antes, nem imagino que me irá acontecer, pela forma que conheço o meu corpo. Muitas vezes o cancro leva a situações de infertilidade. Essa situação de alguma forma o preocupou? Existe uma possibilidade do homem que não é muito grande de o homem se tornar infértil, daí convém congelar os espermatozoides, que foi o que fiz por questão de precaução e também pela minha idade.


Após as alterações corporais que sofreu, continua a ver o seu corpo com os mesmos olhos ou em alguma fase o rejeitou? Obviamente que vejo as alterações no meu corpo, como a perda de cabelo, massa muscular o que acaba por ser muito subjetivo a parte da imagem, digo puramente estético. Sinto-me bem comigo mesmo, consigo fazer tudo, por não valorizar tanto a aparência tenho lidado bem com isso.

O facto de ter uma companheira ao seu lado fez com que fosse mais fácil enfrentar esta fase da sua vida? Eu acho e acredito que é imprescindível alguém que nos dê apoio, alguém que se preocupe connosco. Quanto ser uma companheira propriamente dita, acho que não, talvez seja essencial, porque mesmo não a tendo, tenho um apoio incondicional da minha família e amigos. A que se deve ter superado esta má fase da sua vida? No meu caso foi o psicológico, este processo todo desenvolve muita resiliência mental, porque estamos a ser sempre deparados com situações, notícias que vão e vêm e alteram a nossa vida. Nós doentes corremos riscos, perigos, temos de estar preparados para o pior e para ser superado esta má fase da minha vida o fator mais importante para mim, no meu ver é a resiliência mental, porque aguentei esta dor e acreditei em mim.

O amor e o apoio curam tudo? Claro que sim, sem dúvida! Amor e apoio é o que nos ajuda a passar e a ultrapassar os piores momentos. Quando nos vamos abaixo, quando estamos naquele poço, no fundo e não vemos maneira de sair é o Amor e apoio que nos faz aguentar e lutar contra a doença! Qual a mensagem que gostava de transmitir a quem está a passar esta fase, o cancro. Sou uma pessoa muito realista, tenho experiências com ambas as situações, mas no meu caso correu bem, embora tenha consciência que alguns casos correm mal. O mais importante é lutar, mas de certa forma se alguma situação correr mal dar a volta por cima, e também estar preparado para o bom e mau! Temos que ser resilientes, pensamento positivo e se algo correr mal, temos que estar sempre preparados para dar a volta por cima e vencer a doença! Acreditar, sempre!


Christian Bambusch , Modelo




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