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Andreia Trigo, o Caminho da Fertilidade em Enhanced Fertility Health & Fitness


Andreia Trigo, casada, empresária e enfermeira, nasceu com uma síndrome rara de nome Mayer-Rokitansky-Kuster-Hauser, mais conhecida por MRKH.

Esta mulher, na altura da adolescência começou a notar que apesar do corpo se desenvolver de forma normal, nunca teve o período (menstruação). Quando aos 17 anos lhe foi feita uma laparoscopia, uma cirurgia mini-invasiva, foi-lhe diagnosticado que nasceu sem útero e sem canal vaginal.

No dia do diagnóstico, Andreia recorda que sentiu um misto de emoções, no qual existia o antes, de uma vida em que tudo é possível, até os sonhos, e o depois em que a vida não pode voltar a ser o que era.

Apesar das adversidades que esta síndrome lhe trouxe para a sua vida, Andreia hoje é uma empresária na área da fertilidade e proprietária de uma clínica (Enhanced Fertility) onde ajuda casais a realizarem o sonho de serem pais.

Atualmente tem uma neovagina, uma vida sexual normal e encontra-se de coração aberto à possibilidade de vir a ser mãe de formas menos conventuais).

Nesta entrevista ao Love with Pepper, Andreia abre o seu coração e explica o que é viver com esta síndrome tão rara e, mesmo assim, ter uma vida perfeitamente normal.

Como define o seu percurso de vida?

O meu percurso de vida tem sido muito desafiante e uma descoberta devido ao diagnóstico do MRKH que ocorreu aos 17 anos. Nessa altura e apesar das circunstâncias sempre procurei ser feliz e fazer um trabalho de reflexão interior e de aceitação. Sinto que sou uma mulher realizada em todos os níveis, quer pessoal, quer profissional, apesar desta síndrome.

O que é a síndrome de Mayer-Rokitansky-Kuster-Hauser?

É uma síndrome na qual os ductos müllerianos não se formam de forma correta e isso faz com que o útero não exista e que o topo do canal vaginal também não exista. A consequência desta síndrome é que as mulheres nunca podem gerar filhos no seu ventre, apesar de terem ovários.

Qual a percentagem de mulheres que nasce com essa síndrome no mundo?

A percentagem é 1 em cada 5000 mulheres.

Quais os seus maiores receios?

Na altura, o meu maior receio foi, quando percebi que tinha nascido sem útero e sem o canal vaginal, que estas duas condições fossem um entrave a ser uma jovem adolescente normal, que pudesse ser amada. Tive medo de não vir a ter uma relação e de nunca conseguir gerar um filho.


Como é a aceitação desta doença?

A aceitação desta doença foi muito complexa, porque aos 17 anos nunca nos passa pela cabeça o tema da infertilidade e saber que se nasce sem útero e canal vaginal é um choque enorme, mas não existe outra alternativa senão a aceitação.

Alguma vez tinha tentado iniciar a sua vida sexual antes do diagnóstico?

Não. Sempre achei que, como não tinha menstruação, algo deveria estar errado comigo e por isso nunca existiu uma única tentativa de ter relações sexuais.

Como se reage a saber que não vai poder gerar um filho?

É muito difícil, porque tudo muda, há o antes e o depois. O antes, em que existem todas as hipóteses do mundo de concretizar todos sonhos, depois do diagnóstico vem o choro, a angústia e o receio de que a felicidade possa nunca existir.

Que tipos de tratamentos existem para esta doença?

O único tratamento que fiz na altura foi apenas uma cirurgia que envolve muitas especialidades, que consiste na reconstrução do canal vaginal. A cirurgia foi feita com o intestino delgado, mas a vagina fica com o aspeto normal.

A recuperação como decorre?

O processo de recuperação é complexo e muito invasivo, porque tive que andar com uma prótese vaginal dentro de mim até o tecido cicatrizar. Só a tirava para ir à casa de banho e sempre que a tirava tinha que a desinfetar.

Que cuidados tem nos dias de hoje?

Após a cicatrização do canal vaginal não é preciso ter grandes cuidados, apenas tenho que ir a um ginecologista uma vez por ano, especialista em neovaginas.

Com toda esta situação, alguma vez sentiu necessidade de se isolar ou esconder?

Nunca tive essa necessidade porque ao partilhar existe sempre alguém que nos ajuda a carregar e com uma história igual à nossa. Isso faz sentir que não estamos sozinhos no mundo com o MRKH.

Alguma vez teve apoio psicológico?

Nunca senti necessidade de procurar apoio psicológica devido ao impacto desta síndrome, também porque tive um apoio familiar e do meu círculo de amigas que conheci com o mesmo problema. Mas reconheço que apoio psicológico é importante, porque todas respondemos emocionalmente de forma diferente.

Como foi o início da vida sexual depois de uma cirurgia deste porte?

Não foi difícil, tinha a informação de que não seria doloroso, devido à prótese peniana que tive que usar durante muito tempo. Era como se um pénis tivesse alojado em mim. Considero que o início da minha vida sexual não terá sido muito diferente daquele de qualquer outra mulher. No entanto, acho que até tinha um maior conhecimento de mim e do meu corpo, devido ao MRKH.

De que forma é que esta síndrome lhe altera o desejo, excitação, lubrificação?

Esta síndrome não afeta a vulva e o clitóris. Considero que sinto prazer sexual de uma forma não diferente do sentido por uma mulher comum. Tenho uma vida sexual saudável e prazerosa com o meu marido.



Sente-se uma mulher segura a nível sexual?

Sim, sem dúvida. Esta síndrome permitiu-me ter a liberdade de conhecer melhor o meu corpo, com todos os detalhes. Acho que isso é um dos fatores mais importante para nós mulheres termos mais segurança em nós.

Alguma vez se sentiu uma mulher inferiorizada em relação às outras?

Sim, no início, quando me foi diagnosticado esta síndrome, o meu primeiro pensamento foi: “será que sou mulher o suficiente?”. Depois pensei na questão dos relacionamentos e outros aspetos… esta doença, inicialmente, causou-me muita mágoa. Confesso que fiquei muito aliviada com o resultado dos testes genéticos, para confirmar que os meus cromossomas eram femininos e quando o resultado foi positivo.

Alguma vez pensou na adoção?

Sim, pensei na adoção e na gestação de substituição, mas não é algo que queira fazer de momento. Eu e o meu marido estamos de coração aberto para o caso de mudarmos de ideias no futuro.


Qual a sua missão de vida?

Sem dúvida, a minha missão de vida, enquanto enfermeira e empreendedora, é dar significado à minha experiência de infertilidade, sendo que arranjei uma forma de ajudar pessoas a serem diagnosticadas de forma mais rápida e a poderem ter os filhos que tanto desejam. Saber que tenho esta missão, espalhada por todo o mundo, é algo que me faz sentir muito bem.

Sexualmente realizado. Vida feliz. Lema do Love with Pepper, concorda?

Com certeza que sim.

O sexo é bom?

Como já tinha referido, sim. Tendo uma vida sexual absolutamente normal e prazerosa, posso salientar que não me sinto inferiorizada e, enquanto casada, sinto-me feliz, completa e realizada.


Andreia Trigo, Enfermeira e Empresária na empresa Enhanced Fertility Health & Fitness


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