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A vivência da sexualidade na cegueira



A sexualidade é uma manifestação natural do ser humano. É uma energia que motiva as pessoas a encontrar o amor, o contacto e a intimidade. É uma forma de sentir, influenciada por pensamentos, sentimentos, vivências, ações e interações físicas e mentais.


O tema da sexualidade sempre carregou muito preconceito e falta de informação, particularmente em relação às minorias. A desinformação é potenciadora de preconceitos, estigmas, tabus e generalizações abusivas.


As pessoas com cegueira tendem a ser alvo de vários estereótipos, entre eles que são assexuadas, fruto da falta de informação sobre a sua sexualidade. Acontece que, em alguns casos, estes estereótipos são interiorizados e assumidos como verdadeiros pelos/as próprios/as. Quero com isto dizer que, em algumas situações, encontramos pessoas que se resignam ao que lhes dizem que são, em vez de serem o que realmente são! A escassez de publicações e estudos sobre a sexualidade, nas pessoas com cegueira, ajuda a reforçar este tipo de estigmas. Por isso, torna-se imperativo uma educação sexual que procure minimizar o preconceito e vulnerabilidade destas pessoas.


Na verdade, embora a pessoa com cegueira apresente um dos sentidos prejudicado, é um ser sexual, tal como qualquer outra pessoa. A condição de cegueira não pode nem deve ser um fator inibidor da manifestação da sexualidade.


Não é preciso ver com os olhos para se gostar de alguém. Muitas pessoas “veem” com a voz. A voz permite-nos entrar em contacto com o mundo e reconhecer estados emocionais de quem nos rodeia. Muitas vezes, a comunicação verbal é a primeira forma de expressão da sexualidade. O tato e o cheiro ajudam a aprofundar esse conhecimento. Aliás, o toque é fundamental na expressão da sexualidade, pois a pele é um órgão extremamente importante no envolvimento erótico.


As pessoas com cegueira têm as mesmas condições de sentir desejo sexual, excitação e orgasmo... de dar e sentir prazer sexual! E, tal como todas as outras pessoas, também podem apresentar disfunções sexuais, sem que isso esteja vinculado à sua condição. Perante uma dificuldade sexual, estas pessoas deverão procurar ajuda para que possam viver a sua sexualidade de forma plena.


No fundo, as pessoas cegas e não cegas, percebem e expressam a sua sexualidade de forma idêntica, muitas vezes, aquilo que as afasta é preconceito vigente.


Dr. Fernando Mesquita, Psicólogo Clinico e Sexólogo

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