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A Sexualidade na Religião



Apresento-me como Padre Vítor Sá, de 29 anos, onde sou pároco de três da Vila Nova de Famalicão, estou grato pelo convite que o blog “Love with Pepper” me proporcionou a expressar a minha opinião sobre um tema tão delicado como a sexualidade na religião e de que forma a Igreja Católica tem evoluído na maneira como encara este tema tão relevante.

Existem assuntos tabu que são demasiado arriscados e delicados para explorar. No entanto, pretendo fazê-lo ao longo deste texto.


A Igreja tem evoluído em assuntos relacionados com a sexualidade?


A Igreja não vê, antes de mais, a sexualidade como tabu. É condição biológica de todo o ser humano, que deve ser vivida e gerida com equilíbrio. A Igreja olha para a sexualidade como componente que está com, e não contra o ser humano. Contudo, existem valores, orientações, normas e condutas que são propostas. Aliás, estando a Igreja inserida no mundo, num ambiente próprio, concreto, deve acompanhar os sinais dos tempos sem perder a sua identidade. A sexualidade só pode ser vista como parte integrante que conduzirá ao amor e à entrega mútua.


O que acha sobre o casamento “gay” e da adoção entre “gays”?


Sabemos, antes de mais, que o universo concorre para a harmonia de todas as coisas. Esse equilíbrio é conseguido e vivido, geralmente, entre as diferenças que promovem a unidade. Em relação ao casamento gay, tendo a Igreja presente a revelação de Deus ao seu povo e a consequente tradição ao longo dos séculos, encontramos o homem e a mulher como a base e o desafio maior do amor que vence obstáculos, que os leva a compreenderem-se como um só. Por isso, o valor e a proposta do matrimónio só nestas duas colunas diferentes e complementares podem encontrar a sua razão e o seu fundamento.

O matrimónio estável, só adquire sentido e expressão no valor da família, que é fruto do amor entre os esposos, homem e mulher. É problemática a questão da adoção entre casais do mesmo sexo. Será que podem garantir uma formação de personalidade equilibrada? Será que não é na diferença humana e hormonal que uma criança colherá uma proposta estável para o seu desenvolvimento? Penso que sim! Contudo, mesmo para os casais do mesmo sexo, existem outras formas de cuidar, de ir ao encontro de quem mais precisa. Não tem que ser necessariamente a adoção.


A mulher nos dias de hoje não vai pura (virgem) para o casamento, concorda com isso?


Ainda hoje no tempo de namoro em que haja todo um conhecimento entre as partes dos diferentes esposos, que muitas das vezes é vivido no ponto de vista carnal, contudo a orientação da Igreja continua a ser a mesma, nomeadamente no que diz respeito à preservação do corpo de cada um, ao respeito de que existe entre as partes e se possível que esta meta para a qual todos os namorados estão convidados a esta meta preservar a pureza e a virgindade que continua atual.

Certamente, não tenhamos ilusões e temos que ser honestos e realistas que acontece cada vez menos, mas ainda continua a ser uma orientação da Igreja.


Antigamente existia muita violência doméstica com as mulheres no casamento, e estas tinham de levar o casamento até ao fim. Nos dias de hoje isso já não acontece com tanta frequência. No seu ver concorda com o divórcio nestas situações?


Não concordo que haja violência, acho que é um ato abominável, saliento que não faz sentido um casamento ser vivido num ambiente deste género.

Evidentemente que o matrimónio, sendo uma união indissolúvel entre esposos, é um vinco que tem de ser duradoiro e deve ser para a vida toda, claro que em certas circunstâncias, nomeadamente ao nível da violência doméstica e caso não exista propósito de emenda, e se as situações de violência continuarem a longo do tempo, é logico que não haverá razão para os esposos continuarem juntos.

Daí fazer sentido o divórcio e a separação seja o único caminho possível , caso concordasse , seria masoquista se consentisse que a mulher fosse agredida pelo seu marido e que esta tivesse uma postura serena e inerte a esta situação, contudo tem de existir diálogo entre ambos e procurar salvar o que houver para salvar o matrimónio, mas se já nada existir como o respeito parte a parte, o amor que existia primordialmente, porque foi destruído pela violência falta de respeito, então eu considero que no meu ponto de vista mais como Ser Humano, Homem e Padre o divorcio é a saída.


Acha que um dia a igreja irá aceitar o aborto?


O aborto é uma questão muito complicada, a Igreja antes de mais promove a vida desde a sua conceção até à morte natural.

Expondo concretamente a conceção da vida, evidentemente que existem várias formas de prevenir uma gravidez, uma gestão organizada, coordenada e responsável, onde isto passa quer pela mulher quer pelo homem, mas muito pela mulher no que diz respeito ao próprio corpo.

Contudo, acho que a Igreja não irá aceitar esta prática.

O aborto em algumas circunstâncias, como o caso da violação, no caso do ser humano que está a ser gerado que possa nascer com deficiência ou em risco, então aí a Igreja não condena o ato.

Temos noção que, por vezes, praticar este ato é um ato leviano, ou porque não me apetece ter o filho, ou ate mesmo por razões profissionais, entre outras razões aí a Igreja nunca pode compactuar com um ato deste género, nem promover este tipo de pensamento.

A Igreja nunca irá aceitar o aborto, neste sentido pleno e claro, mas, contudo, existem exceções, mas para isso tem que existir uma sexualidade preventiva e organizada de modo que a gestão, a família ao nível dos filhos possa ser também reflexo de um ato de maturidade humana e cristã.


E quanto ao uso do preservativo, concorda?


A questão do preservativo, que tem sido pontual e referida pelos Papas nos últimos anos e também nos últimos anos de pontificado.

O preservativo é antes demais um método contracetivo, que previne a gravidez e doenças, concordo com o uso no sentido da prevenção de doenças propagáveis,

No sentido de proteger estes males indejados concordo, e na perspetiva de promover a gravidez também, mas não devemos mais uma vez banalizar.

A gravidez deve ser um ato dialogado e gerido entre as partes, deve ser fruto de uma vida sexual dos esposos em que ambos pelo conhecimento os respeitos o entregam mutuamente, mas também a sexualidade tem que ser vivida.


O que sente quando falam dos escândalos sexuais da Igreja? Concorda com a castração química?

O meu sentimento é como o de qualquer pessoa de bom senso deve sentir, que é o de vergonha, porque nada justifica esses atos que são absolutamente reprováveis! Qualquer cristão tem de se penitenciar e pedir desculpas ao mundo e às vítimas por quilo que acontece em relação a este assunto.

Quanto à castração química, não concordo porque a vida deve ser vivida em equilíbrio e quando procuramos conjugar as atividades do copo e da mente, nós conseguimos ter uma vida sadia, sem fazer mal e prejudicar ninguém, e sendo feliz o próprio, portanto acho que não é esse o caminho.

Embora este tipo de ato seja na Igreja e no Tribunal Civil, porque é um crime publico.


De que forma acha que a Igreja tem acompanhado a evolução dos tempos? Como é que encara a imposição do celibato aos Padres? Concorda?


Sinceramente não, pelo seguinte motivo, nós, Padres já temos uma vida tão preenchida, como estar ao serviço das comunidades, daqueles que estão perto de nós em que temos que ajudar e socorrer, que isso tanto ou mais que ter uma família.

Por essa razão não sinto necessidade de constituir família e ter filhos porque a minha é demasiado preenchida.


Como vê na religião católica o voto da castidade da mulher e do homem, acha justo perante Deus?


Os votos de castidade são iguais para ambos, no homem no caso dos Presbíteros, somos obrigados a fazê-lo; no caso das mulheres o voto é acompanhado na clausura. O nosso voto é a castidade inserida no mundo, embora com carismas diferentes tanto no homem como na mulher e que muito caminho foi feito ao longo dos tempos e a Igreja tem evoluído, mas precisamos de evoluir ainda mais.

Evidentemente se me perguntarem se estamos em pé de igualdade, no meu ver sim, mas às vezes não!


Considera que este Papa está a revolucionar a Igreja católica?


Este Papa tem feito um trabalho notável, embora toque nos assuntos tabu devagarinho, ele fala de temas que os Papas anteriores não abordavam.

Também temos que ter consciência que ele não pode mudar o que é a Doutrina da Igreja, quando muito pode atualizar e ser mais leve e ir ao encontro das fragilidades das pessoas.

O Papa Francisco refere que a exclusão vai olhar ao acolhimento.


Padre Vítor Sá















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