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A Sexualidade e o Amor não possuem idade!



Imagem 1: Sessão Fotográfica: Forever Love, Clarissa and Doug by Tom Ford, para Revista VOGUE


A sexualidade e o amor não possuem idade. Desde que nascemos até que morremos, a sexualidade e o amor fazem parte da nossa vida e contribuem para uma maior satisfação com a vida em geral (Neto, 2000).

Esta é uma questão particularmente sensível quando nos referimos às relações afetivas e à sexualidade nos mais velhos.

Quantos de nós, profissionais de saúde, aborda esta temática com as pessoas mais velhas?

Tocamos neste assunto quando estamos a fazer uma anamnese ou entrevista não estruturada? Estamos há vontade para falar sobre este tema com o nosso parceiro? Continuamos a olhar para os mais velhos como seres assexuados ou hipersexuais? Durante muito tempo, estávamos convictos de que o desejo erótico e a sua satisfação eram privilégio exclusivo da juventude, mas não o é.

Estima-se que em 2050 haverá mais de dois mil milhões de pessoas com 60 anos ou mais. Estamos num país cada vez mais envelhecido.

O aumento da esperança média de vida leva-nos a estar atentos a estas questões. Além de viver mais, o mais importante, é que vivam mais anos com saúde e qualidade de vida.


A saúde sexual é um aspeto multidimensional essencial do bem-estar dos mais velhos.

Segundo alguns autores, níveis elevados de bem-estar sexual parecem estar associados a menor taxa de mortalidade, menores níveis de stress, menos disfunções sexuais, maior satisfação relacional, maior desejo sexual, melhor desempenho cognitivo e melhor saúde cardiovascular.

O termo sexualidade na população mais velha varia muito segundo a cultura, contexto social, económico e individual. Alguns estudos internacionais indicam que 70 a 80% dos países relatam atividade sexual em pessoas mais velhas. Mulheres e homens indicam participar em sexo vaginal, sexo oral e masturbação até depois dos 80 anos. De salientar, que a forma como vivenciamos a sexualidade nesta fase de vida, velhice, está muito marcada pela forma como cada individuo experienciou a sua sexualidade. O envelhecimento é um processo natural comum a todos, não um processo patológico. Envolve um conjunto de mudança fisiológicas, psicológicas, ambientais e socioculturais que influenciará a maneira como cada individuo mais velho vive a sua sexualidade.

A pessoa idosa ama e precisa viver a sua vida e a sua sexualidade livremente e com dignidade.

Nos dias de hoje, a sexualidade, ainda é um tema marcado por tabus e mitos, mesmo se vivendo numa sociedade “dita” moderna, quando este tema é abordado junto das pessoas mais velhas ainda é evidente o preconceito. Desde a antiguidade, a velhice tem sido associada à dependência e à perda do controle sobre a própria vida, mesmo para atos banais de sobrevivência (Netto, 2002).

A vida é um processo de modificação continua. Cada pessoa envelhece de forma individualizada, embora algumas características sejam evidentes na maioria dos indivíduos de uma determinada faixa etária (Eliopoulos,2005).

No processo de senescência, verificam-se várias alterações fisiológicas próprias do envelhecimento a nível hormonal, vascular, muscular e neurológico que vão influenciar ao nível da resposta sexual. O declínio da produção de testosterona, tanto em homens com mulheres, contribui para mudanças da sexualidade e do ciclo sexual. Nas mulheres, ocorre uma diminuição do nível de estrogénios, conduzindo à falta de lubrificação e consequentemente levando à dispareunia e ao vaginismo (dor sexual), diminuição do desejo sexual e aumento da incontinência urinária. Nos homens, verificam-se mudanças como a diminuição do número e da rigidez de ereções espontâneas e matinais, diminuição da vasocongestão para o escroto, diminuição da sensibilidade peniana, aumento do tempo necessário para o orgasmo, ejaculação mais demoradas e período refratário mais longo. A viuvez ou a separação (cada vez acontece mais em casais mais velhos), luto, atitudes face ao envelhecimento, as modificações na imagem corporal, comorbilidades, iatrogenia, institucionalização, viver com os filhos, os défices cognitivos e os problemas psicossociais estão entre os fatores que podem interferir no funcionamento sexual na idade avançada.

A sexualidade nos idosos inclui o amor, troca de carinhos, beijos, abraços, companheirismo, segurança, sexo e felicidade, inclui também, tocar, acariciar, fantasias e masturbação (Catusso, 2005).

Sexualidade é um conjunto de sentimentos e atitudes para com o parceiro: expressão de carinho, beijo, abraço, toque, olhar, ouvir e compreender o que o outro fala, mesmo que não diga nenhuma palavra. É estar com o outro, estar de bem com a vida, poder se divertir e ser feliz, incluindo aí a relação sexual. No entender de Claplin (1981), na área da psicologia, a sexualidade respeita três dimensões importante: 1) capacidade de comportamento ou de ter relações sexuais; 2) capacidade de ser atraente, do ponto de vista sexual; 3) tendência de uma preocupação excessiva com o sexo. Noutra perspetiva, a OMS clarifica que falar na sexualidade é falar “de uma energia que nos motiva a procurar AMOR, CONTACTO, TERNURA, INTIMIDADE” (Cit. Caetano et al, 2003, p. 154).


Imagem 2: Sessão Fotográfica: Forever Love, Clarissa and Doug by Tom Ford, para Revista VOGUE


A educação sexual é uma mais valia e uma necessidade para os mais velhos, familiares, cuidadores formais e informais, comunidade em geral.

Infelizmente, a nossa sociedade contribui para que as pessoas mais velhas tenham uma perceção de menos valia porque sempre foram imaginadas como se se estivessem a despedir da vida. Quando entram na reforma, sessar as suas funções laborais, para alguns, também se reformam para a vida. Este preconceito acaba por influenciar as pessoas mais velhas a chegar à velhice de forma saudável, expressando o amor e sexualidade, por vezes negligenciadas.

É importante que respeitemos as pessoas mais velhas, independentemente, das suas limitações. Podem já não possuir a vitalidade da juventude, mas têm consigo todo o conhecimento adquirido com experiências ao longo da vida. O facto de partilharem esses conhecimentos junto das gerações mais novas faz com que se mantenham integrados na sociedade.


Imagem 3: Sessão Fotográfica: Forever Love, Clarissa and Doug by Tom Ford, para Revista VOGUE


Envelhecer é um privilégio. Mudar mentalidades é um processo demorado e complexo que exige disponibilidade e tempo.

A sexualidade expressa-se naturalmente e vem de cada um de nós, da maneira como lidamos com ela, é a nossa “marca registada”.

Como refere Alex Comfort: “Provavelmente a nova geração de idosos portar-se-á de maneira bem diferente, pois terá uma vida familiarizada com uma visão positiva do sexo, não se deixando levar pela angustiante expectativa de uma velhice importante e forçosamente casta, mas sim pela determinação de prolongar ao máximo o tipo de vida que sempre conheceram.”

Amar embeleza. As pessoas que chegam à velhice com disposição para manter uma vida sexual ativa vivem mais e melhor. O amor é um excelente remédio contra a solidão, o abandono e a depressão, que são os maiores problemas das sociedades modernas, principalmente, dos nossos mais velhos.

Cabe-nos a nós, Gerontólogos e outros profissionais de saúde, desmistificar e abordar esta temática como um assunto comum, não como um Tabu. Criar gabinetes de apoio aos mais velhos e famílias, ir às instituições dar formação aos cuidadores formais, psicoeducação junto dos mais velhos.

Todos por um envelhecimento digno e funcional.

Não dar anos à vida mas vida aos anos.

Dra. Tânia Tomada Pinto, Gerontóloga


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